Os agentes comunitários sempre orientaram as vítimas de violência doméstica para que chamassem a polícia, mas esse não é mais o caso. O projeto Secure Communities (Comunidades Seguras), do Department of Homeland Security (DHS, departamento no qual o ICE se encontra ), tem por objetivo declarado a captura dos imigrantes que são perigosos e/ou que já possuem uma condenação por crimes e deportá-los aos seus países de origem. E para isso, o DHS vem interligando as agências de segurança pública, a polícia, com seu database, para cruzar impressões digitais e referências, e prender e deportar aqueles condenados por crimes. Porém, esse cruzamento de impressões digitais está também colocando em risco de deportação imigrantes perfeitamente inocentes e nesse grupo estão as vítimas de violência doméstica.
Conforme publicado nas notícias do site Califórnia Watch, o problema em se chamar a polícia está no fato de que, em muitos casos de violência doméstica, a polícia leva os dois porquê não consegue determinar o agressor em um primeiro momento, acabando por tirar as impressões digitais dos dois. Então a vítima também tem sua impressão informada ao ICE, que potencialmente poderá vir em sua direção.
De acordo com o jornal Mercury News, através desse programa já foram deportados 32,645 pessoas da Califórnia desde 2009; porém, dessas, 8,933 não haviam sido condenadas por crime algum.
Mas como isso afeta os brasileiros residentes na Califórnia? Há três semanas que os banco de dados das polícias de todos os 58 condados da Califórnia estão conectados ao DHS, portando todas as impressões digitais estão sendo cruzadas com o ICE e não há mais cidade santuário (como São Francisco e Santa Clara), porque essas cidades não tiveram nem a opção de ficar de fora.
Algumas organizações já estão protestando pelo alto grau de vulnerabilidade das comunidades imigrantes em relação à violência doméstica, como por exemplo a California Partnership to End Domestic Violence. A colunista, porém, considera quase impossível uma mudança a curto prazo dessa determinação, porque se trata de norma federal, portanto muito difícil de ser modificada.
Portanto, se você foi vítima ou sabe de casos de violência doméstica, a sugestão atual é que procure um lugar seguro (casa de amigos ou parentes) e que entre em contato com entidades comunitárias de sua área que possam ajudar (Casa de Las Madres, Brazilian Alliance, e ajudas de seu próprio condado) e fale também com o Consulado, no telefone 415 820-5260, que saberá indicar ajuda legal, entidades de apoio, dentre outras.
Caso você já esteja pensando em retornar ao Brasil, o que pode mesmo ser sua melhor opção, existe o Guia de Retorno ao Brasil que lista várias entidades de apoio no Brasil para aqueles que retornam em situação de necessidade, como por exemplo, as vítimas de violência doméstica. Você não está sozinho e pode voltar ao seu país de cabeça erguida.
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